
Somos parecidas, tu e eu. Ambas vivemos assombradas por fantasias de nós próprias. Passámos anos a viver na sombra do perfeccionismo, de modo a que a luz da realidade, nos deixa de olhos entreabertos. Queremos a leveza literal e figurativa de destralhar, mas resistimos porque temos medo de nos ver tão claramente.
O meu Eu imaginário é a rainha das expectativas irrealistas. A Caroline perfeita pode fazer tudo: lê todos os livros, cozinha todas as refeições e usa todos os sapatos incómodos. (Porque é que persisto na ilusão de que vou usar saltos altos mais de duas vezes por ano?) Seria maravilhoso ser a Caroline Perfeita… excepto que, ela não teria personalidade, nem limites e nenhuma possibilidade sobreviver no mundo real . Acredita em mim, eu deveria saber. Tentei trazê-la à vida uma e outra vez, mas ela é uma ilusão, está sempre a desaparecer.
Adoro destralhar, porque é uma forma tangível e prática de libertar a Caroline Perfeita e abraçar a Caroline Real. Deixar ir, dá me algo muito precioso: Um conhecimento do meu eu verdadeiro, que perdura, enquando o eu ilusório desvanece.
Cada item que me desapego – Seja um livro que não li ou uma receita que não preparei – Uma imagem de fantasia a que me agarrei, desintegra-se.
Nesse momento, a perfeccionista que me controla enlouquece. “Não deites fora esta receita! Tens que te tornar no tipo de pessoa que cozinha refeições elaboradas para se divertir! “Ela parece dura, mas quando eu sou querida com ela -” Vá, lá, estás bem como és; podes continuar a fazer as tuas saladas preferidas em vez disso “- ela deixa sua fachada agressiva. Quando está furiosa, ela é uma criança a tremer. Ela não quer me ferir. Só está com medo.
O que se passa quando enfrentas a realidade é que, após passar a ansiedade inicial, até sabe bem. Como escrevi no meu artigo In Which I Dare To … Dress Better “há uma tristeza inicial em desfazer-me de roupas antigas, mas há uma tremenda onda de energia positiva em relembrar como me senti a usar aquelas roupas. Enfrentar as minhas roupas fez-me sentir óptima, enquanto que, passar tanto tempo em negação, me esgotou. Quando me desapego, sinto-me confiante para liderar minha própria vida “.
O deleite de decluttering é confiar em nós mesmos, nas pessoas que realmente somos. Aqui estão alguns exemplos do meu processo de Destralhe:
Deixar ir os calções de atletismo desajustados… E a fantasia de que eles me transformariam numa maravilha do futebol como a Bridget do “Quatro amigas e um par de calças”. (Na realidade, prefiro praticar yoga e fazer caminhadas).
Desfazer-me do livro aborrecido… E da fantasia que estudaria regras de gramática como uma escritora “apropriada” (Na realidade, ganhei uma compreensão intuitiva da gramática através da leitura obsessiva).
Desfazer-me do organizador de armário gigantesco… E da fantasia de que meu marido e eu viajaríamos no tempo para o pequeno apartamento onde vivemos como noivos. (Na realidade, vivemos numa casa histórica cheia de arrumação e móveis fantásticos.)
Deitar fora a maioria dos meus diários antigos… Deixar a fantasia que eu gostaria de lê-los. (Na realidade, eu prefiro usar os diários como um local de descarga emocional e depois seguir em frente).
Deixamos os objetos amontoarem-se porque temos medo de quem seríamos sem eles. Quem somos nós sem todas estas coisas? É hora de descobrir. Considera isto um spoiler alert: Os nossos Eus verdadeiros são sempre mais interessantes, divertidos e vitais do que os nossos falsos eus podem ser. O verdadeiro triunfa sempre sobre o perfeito.
Este artigo foi traduzido da rubrica “Real Life Minimalists”. Foi lido originalmente na newsletter da Miss Minimalist, Francine Jay. A carta original foi escrita por Caroline Garnet McGraw, autora do blog A Wish Come Clear. Escolhi traduzi-lo e colocá-lo aqui porque representa exactamente aquilo que sinto em relação ao processo de destralhe e ao desapego.

Photo by Brooke Lark on Unsplash



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