
Numa segunda feira, antes do regresso ao Alentejo, parei na bomba de gasolina da Galp, à saída de Lisboa, a caminho da ponte. Após duas ou três tentativas de atestar com pagamento automático a pistola continuava sem desbloquear e resolvi dirigir-me à caixa da bomba porque pensei que estivesse em pré-pagamento.
Chegada à caixa, e importa referir que estavam à vontade umas quinze pessoas, dirijo-me a uma caixa que não estava em funcionamento e digo à rapariga que não conseguia atestar. A resposta dela: – A senhora não pode atestar porque após abastecer na nossa bomba de Alcochete saiu sem pagar.
Fiquei de todas as cores, e disse:
– Desculpe?? Sem pagar? Isso não é possível, tem que haver um engano. A rapariga disse logo, não há qualquer engano, tenho a sua imagem nas câmaras de vigilância. Aguarde um minuto que eu vou chamar o meu superior.
Aqui confesso que deixei de achar graça à situação. Eu? Nas câmaras? Mas eu não fiz nada! Ou será que fiz? É aquele momento em que começamos a duvidar de nós próprios. Pensei… Será que me vão prender? Como é que vou sair desta e provar que não fiz nada? As pessoas que já eram umas vinte na fila pagavam na caixa ao meu lado olhavam, com um ar surpreendido, outras comentavam, enfim, os 5 minutos até chegar o chefe demoraram muitoooo a passar e mil pensamentos pouco simpáticos me assombraram naquele momento.
Chegou o chefe com um ar de inspector. Eu disse logo:
– Boa tarde. Desculpe não sei o que se passou mas isto só pode ser um mal entendido, será que posso ver as imagens de que me estão a falar? Não posso ser eu, já agora deixe-me confirmar sff.
Entrei para a caixa e vi as imagens. A mulher que saiu sem pagar era parecida comigo, (porte atlético, lol) e usava óculos escuros e um chapéu. Estava acompanhada de pessoas que nunca vi e do meu carro. Bingo! Era o meu carro! Mas… As imagens eram de Junho de 2013, um ano antes de eu comprar o carro. Ou seja eu podia provar que estava inocente. O meu coração que já batia a mil, finalmente abrandou.
Disse ao senhor que podia provar que não era eu. Fui ao carro buscar o envelope plastificado com todos os documentos do carro onde tinha guardada uma fotocópia da factura com a data da entrega, em Julho de 2014. Ele fotocopiou e entre dentes pediu desculpa.
Nunca me passou pela cabeça que alguma vez passaria por uma vergonha destas, nem sabia que as nossas bombas fazem reconhecimento das matriculas tipo CSI, surreal! Agora farto-me de rir mas na altura não teve muita graça.
Deste episódio tiro uma conclusão. Que bom que sou organizada, porque organização também é segurança, nunca sabemos quando é que vamos ter que nos justificar perante um mal entendido destes.



Leave a Reply